terça-feira, 1 de maio de 2012

As várias faces da revolta

A evolução dos personagens iconoclastas da literatura e do cinema que conquistam gerações de descontentes mostra uma lenta, porém constante, progressão de consciência social

Após 12 anos de sua primeira publicação no Brasil, está de volta às prateleiras das livrarias nacionais o romance Clube da Luta, do escritor americano Chuck Palahniuk, um fenômeno editorial entre adolescentes e jovens adultos, lançado originalmente em 1996. A história, que ganhou os cinemas nas mãos do diretor David Fincher em 1999, com os atores Edward Norton e Brad Pitt no elenco, é um grito de revolta ao establishment da sociedade de consumo e da organização capitalista em torno de falsas emoções exploradas pela publicidade.
No longa, o protagonista sem nome é um insone que, após conhecer a misteriosa e iconoclasta figura de Tyler Durden, é encorajado a montar um clube marginal de lutas entre cidadãos “de bem”. O projeto é a ponta do iceberg de um plano megalomaníaco de subversão do sistema que pretende implodir seus alicerces de dentro para fora.
Assim como o personagem de Palahniuk – que se tornou a face do descontentamento nas redes sociais, o QG para boa parte das revoltas acontecidas nos últimos anos —, a máscara de Guy Fawkes (soldado inglês católico participante de uma conspiração que pretendia assassinar o rei da Inglaterra e todos os membros do parlamento no século 17), personagem real retomado como símbolo da revolução popular consciente na HQ de Alan Moore V de Vingança, ganhou as ruas depois de circular na internet como símbolo do movimento hacker Anonymous, responsável por ações anárquicas contra corporações e governos. Fawkes também ganhou maiores proporções graças à adaptação da obra para o cinema, escrita pelos irmãos Wachowski (Matrix).

Ícones rebeldes
Figuras icônicas como as de Tyler Durden e Guy Fawkes, que conquistam toda uma geração e acabam se tornando símbolos de insurreição contra os costumes da sociedade, seguem uma certa tradição no cinema – em sua grande maioria, adaptados a partir de romances.
O primeiro grande exemplo é Jim Stark, personagem de James Dean em Juventude Transviada, filme de 1955. Stark é um legítimo rebelde sem causa – criado fora do padrão yuppie, porém completamente dependente do sistema, egoísta e alienado em sua inadequação. Dean até hoje é considerado um ícone da rebeldia que aflorava de forma dispersiva no ocidente do pós-guerra.
A violência juvenil, contrapartida lógica dessa rebeldia sem causa, assustou as antigas gerações. Em 1962, após ser agredido por uma gangue adolescente, o escritor Anthony Burgess publicou Laranja Mecânica, a terceira das distopias marcantes do século 20, ao lado Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley) e 1984 (George Orwell). A história foi adaptada ao cinema por Stanley Kubrick em 1971 e mostra uma organização de jovens descontentes numa reação niilista ao mal-estar causado por um futuro negligenciado pelos órgãos públicos. Ainda alienados e de reações instintivas, a gangue do protagonista Alex se mostra legitimamente à margem da sociedade.
Nos anos 90, o filme Trainspotting – Sem Limites, de Danny Boyle – também adaptado a partir de um espetacular romance escrito por Irvine Welsh – exemplifica a falta de esperança do fim do milênio de jovens escoceses viciados em heroína. Transgressores, coletivizados, marginalizados, porém dotados de uma consciência de sua situação desesperançosa – sem, contudo, saber o que fazer para mudar o status quo — eles são pouco habituados à violência, ainda que extremamente autodestrutivos.
Chegamos, então, à obra de Palahniuk. A evolução na iconoclastia representada por Tyler Durden é o esboço de ideologia e consciência passíveis de se transformar em uma revolução das massas. Essa revolução, porém, nada tem de agradável e permanecem os resquícios autodestrutivos de Trainspotting (ao invés das drogas, a luta), que se estendem no plano físico à toda a sociedade, fadada à ruína caso os planos do Projeto Caos descritos na obra fossem concretizados.
Por último, há a figura de V, o anarquista vestido com a máscara de Guy Fawkes em V de Vingança. Ao colocar parte da responsabilidade de seus planos nas mãos de Evey Harmond (jovem interpretada por Natalie Portman no filme), V revela a última característica a ser observada nos jovens iconoclastas que o tornaram tão estimada figura nas revoluções dos últimos anos: a delegação de poder de ação direta para o povo. Não só marginalizado, coletivizado e consciente de sua condição, V preocupa-se também com o bem-estar social e a igualdade entre os homens, demonstrado ao insurgir-se contra a ideia de Larkhil, a instituição fictícia que torturava as mesmas minorias perseguidas pelo nazismo. O poder está com o coletivo e há uma saída para o autoritarismo.
É, pois, a formação de uma ideologia ou aplicação prática do descontentamento, parte da fórmula para se criar um rebelde icônico – que se difere de personagens apolíticos e reativos, como os do diretor Quentin Tarantino. Porém, o maior desafio da representatividade dessas figuras para a geração da revolução do sofá certamente será transformar o discurso em atitudes concretas. Será esse o papel transformador da arte? Fica a pergunta.

Filmografia
Saiba mais sobre os longas-metragens emblemáticos citados na matéria:
• Juventude Transviada (Rebel without a Cause. EUA, 1955). Direção de Nicholas Ray.
Um dos maiores símbolos do jovem rebelado é Jim Stark, protagonista interpretado por James Dean. O rebelde, entretanto, ainda é dependente do meio e egoísta em sua revolta.
• Laranja Mecânica (A Clockwork Orange. EUA/Reino Unido, 1971). Direção de Stanley Kubrick.
O futuro distópico descrito em Laranja Mecânica – permeado por um mal-estar e apatia gerais – tem como subproduto uma gangue de jovens violentos, destrutivos, coletivizados e realmente à margem da sociedade.
• Trainspotting – Sem Limites (Trainspotting. Reino Unido, 1996). Direção de Danny Boyle.
As gangues jovens não são mais tão violentas como as de Laranja Mecânica, mas são autodestrutivas e alheias à sociedade, ainda que conscientes de suas posições marginais.
• Clube da Luta (Fight Club. EUA/Alemanha, 1999). Direção de David Fincher.
O grupo encabeçado pelo líder iconoclasta Tyler Durden é organizado, pretende-se revolucionário e aplica suas ideias em ações destrutivas, mais preocupado em “libertar” as pessoas do que promover uma alternativa ao mal-estar da sociedade de consumo.
• V de Vingança (V for Vendetta. EUA/Reino Unido/Alemanha, 2005). Direção de James McTeigue.
A evolução da coletivização dos jovens rebeldes marginalizados toma forma sob a liderança do anarquista V, que delega poder ao povo e preza por direitos iguais e bem-estar entre as pessoas.

Legenda da Foto: Cena do filme Clube da Luta: niilismo destrutivo no final do século 20; Máscara de Guy Fawkes ganhou as ruas graças à popularidade de V de Vingança; O anarquista V em V de Vingança: consciência e preocupação com direitos humanos e Tyler Durden, vivido no cinema por Brad Pitt: revolta contra a sociedade de consumo.

Fotos: Divulgação, Pawel Kopczynski/Reuters, Divulgação e Reprodução
Fonte: Gazeta do Povo

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Xingu - O Cinema se reinventa

Xingu, mais recente filme do diretor paulistano Cao Hamburguer (de “Castelo Rá-Tim-Bum” e “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”), exige do espectador mais cético uma certa dose de paciência. A princípio, a história apela para a aura de heroísmo que historicamente foi atribuída aos irmãos Villas-Bôas – dois dos quais, Cláudio e Orlando, foram indicados ao prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que resultou na criação do Parque Nacional do Xingu e na implantação de uma política indigenista totalmente nova lá por meados do século passado. Pois o filme começa com uma cena um tanto inverossímil em que os irmãos Cláudio e Leonardo se disfarçam de “peões” analfabetos para conseguir suas vagas na expediçã Roncador- Xingu.


 

Com a evolução do trabalho deles na expedição, contudo, o filme engata. O deslumbramento causado pelas locações – não há uma cena sequer do sertanistas na expedição feita em estúdio – contribui para situar o espectador naquilo que talvez tenha sido a mais corajosa e ousada marcha para o interior do Brasil depois das excursões dos bandeirantes. Para se ter uma ideia, Cao Hamburger começou seu trabalho de pesquisa de locações, entrevistas e preparaçao de atores (grande parte deles, índios) três anos antes do início das filmagens.
Do ponto de vista narrativo, além do perigo de cair em desgraça ao retratar personagens tidos como pioneiros pela etnografia, o diretor ainda tinha outra dificuldade: abordar uma expedição que se estendeu por 40 anos (em um filme de duas horas), exigiu que fossem cortadas passagens importantes dos relatadas pelos Villas-Bôas no livro Marcha para o Oeste, em que o filme se baseou.
O diretor, no entanto, superou as dificuldades com uma abordagem pouco utilizada no recente cinema nacional: o desnudamento de personagens midiaticamente endeusados resultou na exposição de pessoas comuns, cheias de falhas e até ingênuas, apesar de corajosas. No filme há, implícito, o reconhecimento das consequências desastrosas das falhas. Mas há, também, a constatação de que sem o espírito de eventura e deslumbramento dos irmãos – que redundaram naquela maldita aura de heroísmo – pouco teria sobrado de um sem-número de nações indígenas aé hoje preservadas pela alma sensível e capacidade de agir dos Villas-Bôas.
Preciso dizer, por outro lado, que há defeitos no filme característicos do cinema nacional. O som direto que disputa com a trilha musical é um deles. Mas se é possível traçar um paralelo entre “Xingu” e outra obra recente da cinematografia brasileira, a primazia cabe, ironicamente, ao filme anterior de Hamburger, “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”. Como neste último, o filme sobre os irmãos Villas-Bôas soube retratar, por vias pouco ortodoxas, um tempo que muitos outros já o fizeram utilizando maneirismos; e colocou seus protagonistas não para dialogarem, mas para conduzirem o espectador pela realidade que enfrentaram.

Fonte: Tribuna do Norte

terça-feira, 24 de abril de 2012

Filme expressionista de 1927 inspira moda atual


Coleção outono/inverno 2012 da Adidas SLVR é inspirada no filme Metrópolis
A coleção
Chega com tudo a coleção SLVR da adidas para o otono/inverno 2012. GQ teve acesso às primeiras imagens do lookbook, fotografado por Willy Vanderperre, e notou que a marca deu um upgrade e tanto em relação à última linha. A inspiração da vez é o filme alemão expressionista Metrópolis, de 1927. Com a dreção criativa de Dirk Schönberger, a SLVR apresenta peças refinadas, construídas a partir de uma visão mais conceitual da funcional e esportiva icônica marca de sportswear.

O filme

Uma visão expressionista, convulsiva e pessimista de um futuro que acenava temivelmente próximo. Um sonho de uma distopia social envolto a um exercício de futurologia realista. Impossível descrevê-lo em tão poucas palavras, mas Metropolis, produção alemã de 1927 do diretor e visionário Fritz Lang, é isso e muito mais.
A obra foi uma das empreitadas mais caras do período que antecede o áudio. As altas cifras da época podem ser justificadas, talvez, pelas imagens incríveis e de altíssimo poder de impacto que arrebatam o espectador pelos quase 150 minutos de puro realismo fantástico. O filme é um dos pontos máximos do Expressionismo Alemão, movimento que lapidava as maiores atenções às imagens e às interpretações na compensação da ausência do som.
Metropolis é uma cidade que reúne todas as características do que se conjeturava ser o futuro da humanidade. O sonho de Lang se passa em 2026, exatos cem anos após o início da concepção das filmagens (1926). O homem perdeu todo seu ímpeto independente ao passo que se tornou umbilicalmente subordinado às máquinas e à tecnologia representada por elas. Os avanços tecnológicos, porém, promoveram uma cisão abismal entre as classes sociais. Alguma similaridade com os dias atuais?
A mão de obra braçal que dava sentido ao coração mecânico, razão de ser de Metropolis, era relegada a um submundo subterrâneo e distante. Cabisbaixos e autômatos, à massa domesticada restava operar suas engrenagens em movimentos simétricos, como num balé gótico. Como não lembrar as pessoas feitas gado dentro de vagões rumo aos campos de concentração nazista? À elite, “restava-lhe” saborear os ares e aromas de outro mundo, uma apoteose existente na superfície, cortado por infinitos arranha-céus, veículos futuristas e um sem número de vias, que assombravam um anseio de “jardim das delícias”, legado dinástico dos antepassados a seus filhos bem nascidos.
“Mas você não teme que um dia eles se rebelem contra você”, indaga Freder, num lampejo maturo, o jovem tolo, filho do mentor da cidade pirotécnica, o poderoso Joh Fredersen.
Freder, o qual tinha o bel prazer do deleite de qualquer mulher da terra alta, encanta-se pela plebeia Maria, uma mulher simples que começa a gestar o início de uma revolução. Com ela e por ela, o jovem magnata apercebe-se de uma nova realidade, tão verossímil, assustadora e  injusta, vista a olhar de lupa por meio dos claros olhos da amada. Não demora para que o bom moço troque de lado e sinta na pele as agruras do operariado. Ao descer à estação das máquinas e presenciar um acidente, o jovem tem uma visão; uma simbiose máquina-deus pagã, que come os seres humanos num sacrifício digno da dinastia inca. Uma cena de beleza rara.
Ao encontrar Maria nas profundezas desconhecidas da cidade, Freder, atônito, nos revela uma líder que prega a justiça pela palavra branca, pelo consenso e não pela violência. Dentro de uma profecia enunciada pela mulher, haveria de surgir um providencial mediador, que teria o discernimento de promover a conciliação entre os dois mundos. Alguém que materializasse o cerne dentro da máxima “o coração é o mediador entre a cabeça e as mãos”.
Talvez, não por acaso, a jovem recebera o nome de Maria. Ela aguarda o mediador, um redentor messiânico, que encontra sua razão de ser na promoção de uma paz perene. Alguém a que todos apontarão como rei, mas que tem como objetivo de seu reinado em terra a missão de promover a comunhão de seu povo com seu pai, aqui, morador da Torre de Babel. Não distante dos simbolismos divinos, o clone de Maria, representação imagética do lado mais vil da tecnologia a serviço da bestialidade, uma falsa profetisa, leva o nome de Hel (hell, ou inferno em inglês). Não seria Hel a serpente que oferece a maçã embebida no veneno da discórdia? Seria essa a resposta pela escolha do pentagrama invertido que paira sobre sua cabeça robótica quando ela nos é apresentada? Sua imagem também nos confere a reflexão de quão nociva pode ser a tecnologia quando não usada com o coração entre a cabeça e as mãos.
A força imensurável de Metropolis reside no poder de reunir os mais ardis conflitos do século 20 em pouco mais de duas horas de fita. As dicotomias estão todas lá: o bem contra o mal, o operário contra o patrão, a ciência contra o humanismo, o autoritarismo contra a liberdade, a verdade contra a mentira. Maniqueísmos à parte, a obra figura no panteão das mais importantes da história do cinema. Era o filme preferido de Hitler e, por conseguinte, de Goebbels, que vislumbrava em Lang o cineasta oficial do terceiro reich.
Fugido para os Estados Unidos, o diretor daria sequência à sua profícua filmografia. Sua mulher à época, e roteirista de Metropolis, Thea von Harbou, deixou-se inebriar pela sedução ultranacionalista. São creditados a ela os vestígios arianos encontrados na obra. A Lang ficaram os louros de antever com maestria o colapso a qual rumava o homem naquele início de século, onde muitos acreditavam que o pior já havia passado, após o fim da primeira guerra e da revolução bolchevique.
O que Lang não podia prever era que Metropolis e sua força pictural ficariam enraizadas no ideário de toda uma geração.


Fontes: GQ Online e Cinema Velho


terça-feira, 17 de abril de 2012

Expressionismo alemão


O gabinete do doutor caligari
                                        
O expressionismo alemão foi um estilo cinematográfico cujo auge se deu na década de 1920, que caracterizou-se pela distorção de cenários e personagens, através da maquiagem, dos recursos de fotografia e de outros mecanismos, com o objetivo de expressar a maneira como os realizadores viam o mundo.

"O expressionismo, nascido na Alemanha no final do século XIX, é maior que a idéia de um movimento de arte, e antes de tudo, uma negação ao mundo burguês. Seu surgimento contribuiu para refletir posições contrárias ao racionalismo moderno e ao trabalho mecânico, através de obras que combatiam a razão com a fantasia. Influenciados pela filosofia de Nietzsche e pela teoria do inconsciente de Freud, os artistas alemães do início do século fizeram a arte ultrapassar os limites da realidade, tornando-se expressão pura da subjetividade psicológica e emocional." 

O Expressionismo,cuja origem podemos remontar a fortes evidências em Van Gogh.[2] O expressionismo alemão,que se estendeu por quase todas as artes como o cinema, a pintura e caracteriza-se pela distorção da imagem(uso de cores vibrantes e remetentes ao sobrenatural ),do retorno ao gótico e a oposição a uma sociedade imersa no desolador cenário do racionalismo moderno pregador do trabalho mecânico.As vibrantes e alucinógenas pinturas expressam um desligamento com o real , a prioridade do "eu" e sua visão pessoal do mundo

Tal identidade de uma arte de crise se intensifica ao coincidir com a instalação da frágil República de Weimar após uma catastrófica guerra perdida e um humilhante Tratado de Versalhes que arruinou a nação alemã,o que contribuiu para, então, não só formar uma nova proposta de postura estética mas também uma moral de enfrentamento das autoridades (foi por essa razão que os nazistas consideraram o expressionismo uma arte decadente). O Nazismo e a própria Segunda Guerra Mundial veio a destruir muitas destas obras.
Nosferatu


Cinema

As primeiras pesquisas estéticas do cinema expressionista aconteceram na Dinamarca, nas primeiras décadas do século XX. Nessa época, muitos cineastas deste país abordaram em suas obras o tema da angústia, da loucura e outros mais místicos, envolvendo bruxaria. Nas cenas de alucinação eram exigidos certos efeitos, cuja realização obrigava os cineastas a recorrerem a técnicas fotográficas novas, bem como a cenários simplificados que permitissem o jogo de luzes sobre ângulos vivos e volumes claros.
Na Alemanha, o filme O estudante de Praga (1913), protagonizados pelo ator teatral Paul Wegener (1874-1948), foi inspirado nessas produções dinamarquesas, tendo sido o primeiro filme alemão a ser vendido para o mercado externo. Foi realizado pelo diretor sueco Stellan Rye (1880-1914) e produzido pela Union Film (depois Decla Bioscop), reunindo diversos temas da literatura fantástica, como o pacto do diabo de Fausto, a corrupção da imagem de Dorian Gray e a idéia do duplo dos contos de Edgar Allan Poe e E. T. A. Hoffmann.
  
“ O doente não é mais aquele indivíduo que sofre, mas converte-se na própria doença...”(Kasimir Edschmid) Contra a arte superficial, epidérmica (impressionismo). Quer ir ao centro, aprofundar-se, pressionar a realidade. Daí surge a deformação típica do impressionismo alemão (com origem em Van Gogh e Munch). Influenciado também pelo niilismo de Nietzsche. E até por Freud. 

Fontes:
http://www.overmundo.com.br/overblog/o-expressionismo-recriando-conceitos-e-valores
http://pt.wikipedia.org/wiki/Expressionismo_alem%C3%A3o
http://www.urutagua.uem.br/010/10silva.htm

Sessão de cinema para deficiente visual chega ao interior paulista

 
Na tela do cinema, a imagem mostra uma senhora numa cadeira, em uma sala ampla com um piano ao fundo, bordando em silêncio. No áudio, um narrador descreve detalhadamente a cena.

A câmera fecha um ângulo nas mãos dessa mesma mulher. O narrador continua a descrever: "a imagem mostra o detalhe da agulha passando pelo tecido".

Na ampla plateia do Cine São Carlos, no interior de São Paulo, com capacidade para 540 pessoas, um grupo de 15 deficientes visuais acompanha o desenrolar do filme.

Eles estiveram na primeira sessão do Cine+Sentidos, que começou ontem e vai exibir, quinzenalmente, filmes com audiodescrição para cegos.

O projeto, iniciativa da Prefeitura de São Carlos em parceria com o Cine São Carlos, é apontado como pioneiro no interior paulista em ter sessões permanentes para quem tem problemas na visão.

Na primeira sessão, foram exibidos cinco comédias curtas-metragens. Uma delas, "Mr. Abrakadabra!", do diretor José Araripe Jr., feito mudo e em preto e branco.

Na plateia, o som de risos, enquanto o narrador descreve as tentativas de um mágico que, já velho, decide morrer a qualquer custo.

"Se não houvesse a audiodescrição, seria impossível entender. Com ela, dá para acompanhar toda a história", disse Ailton Alves Guimarães, 38, que consegue enxergar apenas vultos.

Com exibições gratuitas quinzenalmente, às quintas-feiras, o Cine+Sentidos quer atrair mais pessoas progressivamente, diz o coordenador de Artes e Cultura de São Carlos, Almir Martins.

Os deficientes visuais são incentivados a levar parentes e amigos que não são cegos. "É uma forma de permitir que, depois, eles trocam impressões sobre o filme", diz Maurício Zattoni, chefe da Divisão de Audiovisual.

O projeto de São Carlos segue os passos de outros programas culturais bem-sucedidos de inclusão de pessoas com necessidades especiais.

O principal deles em atividade no país teve início em março, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, onde todas as peças em cartaz na temporada deste ano têm audiodescrição, Libras (Língua Brasileira de Sinais) e legendas, beneficiando não apenas deficientes visuais, mas, também, os auditivos.

"Antes, não havia um espaço que oferecesse isso de forma permanente", diz a coordenadora de acessibilidade do projeto no Carlos Gomes, Graciela Pozzobon.

Pioneiras da audiodescrição no país, ela diz que há iniciativas do tipo em festivais ou temporadas curtas em capitais como São Paulo e Porto Alegre.

Ela e o especialista em audiodescrição Paulo Romeu Filho afirmam não conhecer outras cidades do interior que tenham projeção do tipo permanente.
 
 
Legenda da foto: José Roberto (de cinza) e João Bernardo (de azul), em exibição de filme para deficientes visuais, em São Carlos.
 
Crédito da foto: Silva Junior - 12.abr.12/Folhapress
 
Fonte: Site Bol Notícias

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A 1ª produção do Imaginário


Ontem exibimos pela primeira vez o vídeo de apresentação do nome da nossa agência acadêmica.

Sem ter isso como propósito inicial, o vídeo acabou recebendo influência do expressionismo, fenômeno hegemônico cultural na Alemanha, presente nas artes gráficas, na pintura, na escultura, na literatura, no teatro, na música, na dança e no cinema, assumindo formas mais radicais, onde a expressão do sentimento tem mais valor que a razão.

Esse fenômeno tinha como características marcantes os ângulos acentuados, de contornos sombrios e as cores contrastantes - puras e ácidas - verdes, vermelhos, amarelos e negro. Expressava não o fato em si, mas o sentimento do artista em relação a este, logo, uma visualidade subjetiva, mórbida e dramática. (Fonte: MAC - USP)



Confira e instigue a sua imaginação:






quarta-feira, 11 de abril de 2012

Brasil em destaque no Festin, em Lisboa

 Brasil é o país em destaque no Festin, o Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, que decorre em Lisboa, em maio.

Esta é a terceira edição do evento, que este ano tem a programação dedicada ao tema da inclusão social. Decorre entre os dias 9 e 16 de maio, no cinema São Jorge, e recebe mais de 70 filmes.

Segundo a Lusa, o destaque do Festin vai ser dado às produções do Brasil, país que mais inscrições enviou, cerca de 300.

Adriana Niemeyer, da direção do Festin, garante que o festival vai passar também muitos filmes de língua portuguesa feitos em outros países lusófonos.

Alguns dos filmes brasileiros que vão estrear em Portugal já foram vistos no Brasil, com 99 das produções agora em exibição no Festin a registarem um total de 67,7 milhões de euros de receitas de bilheteira.

Um dos destaques do festival vai para o documentário «Mamonas para sempre», de Cláudio Kahns. O filme é sobre o grupo rock brasileiro Mamonas Assassinas, que teve um fim trágico, com a morte dos cinco músicos num acidente de avião, em março de 1996.

Entre alguns dos filmes portugueses selecionados estão «Nada Fazi», de Filipa Reis e João Miller Guerra, «O dormitório», de Vanessa Fernandes, «O canto dos cisnes», de Marco Barbosa, e «E amanhã», de Bruno Cativo.

Site TVi24