segunda-feira, 19 de março de 2012

A invenção de Hugo Cabret ou de Méliès?



Da ficção para a realidade



George Méliès


Quando li a sinopse e vi o trailer  do filme“A invenção de Hugo Cabret “nada me atraiu atenção. Parecia mais um filme bobo, infantil  de “aventura” sobre uma misteriosa chave que ligava a morte do pai de Cabret. Porém esse filme “bobo” ganhou nada mais nada menos que 5 oscar. O que fez as pessoas, assim como eu, dar um pouco mais de atenção ao trama, que na verdade não conta a história de Hugo.

Alguns colegas disseram que era imperdível assistir em 3D, que os efeitos eram sensacionais, porém ao ve-lo neste formatado, não vi nada de surpreendente, algo que poderia ser meramente pontuado. Mas claro as imagens, efeitos especiais, foram muito bem produzidas.

A história não é sobre o garoto orfão Hugo e sim sobre o grande cineasta, considerado o pai do cinema: George Méliès. Junta aspectos fictícios com reais. Nessa junção de fatos conseguiu atrair públicos diferentes: aqueles que esperavam um filme, no estilo infantil para adulto, com uma história misteriosa, aventureira, com belas imagens e outros apaixonados, curiosos, sobre a história do cinema. Foi uma forma de contar uma pouco sobre a vida Méliès para um público que talvez não tinha nenhum conhecimento sobre sua existencia.
Para quem não é nenhum estudioso de cinema, ou se quer ouviu falar no nome do cineasta, a história real pode passar despercebida mas pode gerar curiosidade em saber se de fato aquele senhor existiu. Quem gosta de cinema acaba se encantado pelo mundo fantasioso da terceira arte.


Fatos verídicos


Quando o vendedor de uma loja de artigos infantis e mágicos estação de trem pega o caderno de anotações de Hugo Cabret, se sente incomodado com as anotações. Ao passar as páginas, com certa rapidez, se tem o primeiro contato da história do cinema. O famoso StoryBorad, que são aqueles desenhos consecutivos que da sensação de movimento. O estilo não foi inventado por Méliès, mas por não fazer roteiro, desenhava cada parte da cena para ser filmado.

Hugo Cabret tem um sonho que encontra uma chave no trilho do trem. Porém a máquina estava vindo a todo vapor, não conseguiu freiar e se arrastou durante metros até cair da estação. A cena remonta o acidente ocorrido em 1895, em Paris, que ocorreu a mesma situação do filme, sem o garoto é claro.

Imagem do acidente de trem ocorrido em Paris





O primeiro contado do cineasta com o o cinema foi na exibição dos filmes feitos pelos Irmãos Lumière. Ficou encantado com a máquina que reproduzia imagens em movimento. De fato ofereceu muito dinheiro para compra, mas não quiserem vender. Alguns dizem que os irmãos não davam muita importância ao invento, outros que não venderam para ficar somente com eles a câmera.

Alguns pesquisadores dizem que George foi a Londres, pesquisou e criou sua própria câmera. Outros que ganhou de um colega.

Iusionista reconhecido, viu no objeto uma forma de propagar suas apresentações.
Vendeu seu teatro onde fazia suas apresentações e com o dinheiro criou o primeiro estúdio de cinema. Comparado com fotos da época, o filme conseguiu reproduzir exatamente como era o local de gravação. Ao todo foram produzidos mais de 500 filmes e sua esposa teve participação em alguns deles. 

Estúdio de gravação de Méliès


Jeanne d'Alcy esposa de Méliès em filme


Na época produziu filmes coloridos, pois pintava película por película. Todas as cenas que mostravam os filmes de Méliès, foram realmente feitas por ele. Pois quem nunca assistiu pode imaginar que aquilo faz parte da ficção.



"As quatrocentas farsas do Diabo" Méliès



Com a I guerra mundial e a evolução do cinema, Méliès foi a falência. Seu estúdio foi abandonado, cenário queimado e seus filmes foram derretidos e se transformaram em sapatos. Morreu praticamente falido em paris em 1938 e de fato, como mostrado no filme, terminou sua vida trabalhando em uma banca de brinquedos, vendendo produtos de mágicas. Durante o período muitos filmes foram perdidos, porém pesquisadores encontraram através de coleção pessoal, e organizaram um acervo que deixou registrado para a humanidade a revolução que Méliès fez com o cinema.


No final do filme, o cineasta faz uma amostra de suas gravações. A cena faz referência ao documentário feito pela neta dele,  Madeleine Malthete-Mélies, que apresenta 15 filmes feitos pelo seu avô em um Teatro em Paris em 1997.

O personagem Hugo serviu para atrair diferentes públicos e mostrar o lado fantasioso, ilusório do cinema, "onde os sonhos acontecem" como Méliés costumava dizer.


Até agora não entendi por que o filme se chama “A invenção de Hugo Cabret” sendo que o garoto não inventou nada, apenas consertava coisas e o grande inventor na verdade era George Méliès.


Por: Lucas Molinari



2 comentários:

  1. Lucas, muito bom mesmo, fiquei obcecado pela arte de mèliés, vou levar pelo resto da vida ele comigo e estou produzindo um vídeo para o meu canal falando sobre ele.

    o filme se chama “A invenção de Hugo Cabret" porque o menino reconstruiu o homem que estava quebrado e sem futuro em uma loja de brinquedo.

    Ele fala frases no filme que deixa bem claro isso:

    """Se uma máquina esta quebrada, ela perde seu propósito.
    Talvez seja assim com as pessoas, se elas perdem seu propósito, elas talvez estejam quebradas.""""

    Matei sua dúvida? rs

    Grande abraço meu amigo, acessa meu canal.

    Canal do Merlin.

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  2. Na verdade o filme se chama a invenção de hugo cabret porque leva o nome do livro e ao final do livro Hugo inventa um autômato que é uma verdadeira homenagem ao George Méliès, o filme á maravilhoso, mas infelizmente esse final que justifica o nome do livro/filme não aparece no filme.

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